Resultado enganador após hora de classe

É muito difícil digerir um resultado tão pesado para a qualidade de jogo que o Rio Ave FC levou até Lisboa.

O grupo de Luís Freire foi extremamente corajoso e não se deixou intimidar, colocando vários problemas a um adversário que se sabia muito difícil de bater. Ainda assim, depois de ver o Rio Ave FC a ser superior ao campeão nacional durante 60 minutos, ficando fragilizado por uma expulsão por acumulação de amarelos (sendo o primeiro indevido), permitindo que a equipa da casa consiga equilibrar-se na partida, alavancada ainda pelo fator casa e pelos seus milhares de adeptos- fica difícil de acrescentar algo mais.

Mas tentemos…

O Rio Ave FC entrou no jogo com muita garra, com vontade de mostrar a sua qualidade e voltar a provar que não merece o lugar que ocupa na tabela classificativa.

Aos 9′, Guga fez o golo do Rio Ave FC, finalizando uma jogada que começou com um cruzamento de Costinha. Boateng não conseguiu chegar a tempo, mas Fábio Ronaldo apareceu para voltar a colocar a bola na grande área e o capitão do Rio Ave FC não desperdiçou.

Já com a vantagem no marcador, o clube vilacondense manteve-se extremamente focado, com vontade de não ficar por aqui. Trubin teve de estar alerta para conseguir impedir o Rio Ave FC de aumentar o resultado. Aos 17′, por exemplo, Fábio Ronaldo puxou para o meio e rematou com perigo, mas o guardião da casa conseguiu defender com os pés. Guga voltou a tentar, com um remate de fora da área, e Boateng também. Numa altura em que o Rio Ave FC estava completamente por cima do jogo, a formação da casa arrancou num contra-ataque rápido, com Di María a conseguir fazer o golo do empate.

Ainda assim, não houve espaço para desânimos e o clube de Vila do Conde voltou à carga, com a mesma seriedade e competência. Depois do golo, a ofensiva do Rio Ave FC não perdeu o foco nem se deu por satisfeito e continuou com as baterias apontadas à baliza das águias.

Aos 40′ João Mário tentou aumentar a vantagem antes do intervalo, mas Jhonatan, atento, conseguiu tirar a bola com a ponta das luvas.

No segundo tempo, o Rio Ave FC não se escondeu e voltou a entrar muito bem na partida. Boateng logo nos primeiros minutos tentou fazer o segundo golo, de cabeça, mas viu a bola a bater no poste. Na recarga, a formação de Vila do Conde ainda tentou finalizar com sucesso com novo remate de Guga, mas viu a bola sair por cima.

Aos 58′, o infortúnio que mudou por completo o rumo do jogo. Santos viu o segundo amarelo e acabou expulso da partida. No entanto, vejamos: Santos fez duas faltas em todo o jogo sendo a primeira indevida que resulta num primeiro amarelo injusto e que o condicionou para o resto da partida.

Logo depois deste momento que deixou a equipa do Rio Ave FC reduzida a 10 jogadores, o SL Benfica conseguiu chegar ao segundo golo, aos 61′, pelos pés de António Silva. Por esclarecer ficou uma possível falta a Costinha, mas devido à ausência de repetições, a dúvida fica no ar.

A turma vilacondense ainda tentou travar as ofensivas benfiquistas, mas a equipa da casa acabou por conseguir espremer ao máximo a situação privilegiada em que se encontrava. Aos 80′, Marcos Leonardo marcou o terceiro e aos 90+1′, João Mário fechou o marcador no 4-1.

Não há ninguém que possa dizer que este é um resultado que se ajusta ao jogo. Depois de tudo o que o Rio Ave FC conseguiu fazer fica um sabor muito amargo. Guga, na flash interview, salientou a primeira parte “super controlada pelo Rio Ave FC” e uma segunda metade em que a equipa voltou a entrar muito bem. O médio acrescentou que “não é fácil jogar no Estádio da Luz e depois da expulsão, o jogo tomou outras medidas” e frisou que a equipa não se vai deixar abater: “o que retiramos deste jogo é a qualidade que metemos dentro de campo e usarmos isso para nos dar força”, concluiu.

De salientar o regresso de Aziz aos relvados com a caravela ao peito e a estreia de Tanlongo, médio argentino que chegou recentemente ao Rio Ave FC.

Aos nossos adeptos, um agradecimento especial, que num domingo ao final do dia, fizeram questão de se deslocar até Lisboa para garantir que o Rio Ave FC tinha o apoio necessário para travar esta luta, tendo aplaudido a equipa pelo seu empenho no final do jogo.

Jogo no Estádio do Sport Lisboa e Benfica, em Lisboa
Árbitro: Iancu Vasilica
Ao intervalo: 1-1
Marcadores: Guga (9′), Di María (29′), António Silva (61′), Marcos Leonardo (80′) e João Mário (90+1′)
Acção disciplinar: cartão amarelo a Kökçü (57′) e Patrick William (90+3′); expulsão por acumulação de amarelos Santos (49′ e 58′),

SL Benfica 4
Trubin, Aursnes, António Silva, Otamendi, Morato, Kökçü, João Neves, Di María, Rafa Silva, João Mário e Arthur Cabral.
Substituições: Di María por Tiago Gouveia (62′), Arthur Cabral por Marcos Leonardo (62′), Kökçü por Florentino (62′), Aursnes por Tomás Araújo (86′) e Neves por Chiquinho (90+2′)
Suplentes não utilizados: Samuel Soares, Jurásek, Guedes e Musa.
Treinador: Roger Schmidt

Rio Ave FC 1
Jhonatan, Josué, Santos, Miguel Nóbrega, Costinha, João Graça, Amine, Guga, Fábio Ronaldo, Joca e Boateng.
Substituições: João Graça por Ventura (57′), Joca por Zé Manuel (57′), Boateng por Patrick William (63′), Nóbrega por Tanlongo (85′) e Amine por Aziz (85′)
Suplentes não utilizados: Magrão, Vítor Gomes, Ruiz e Frederico Namora.
Treinador: Luís Freire